Estados Unidos, França e Brasil mantêm impasses diplomáticos ainda sem solução
Indicações de embaixadores e questões envolvendo vistos prolongam divergências de Washington com Paris e Brasília

Duas questões diplomáticas envolvendo os Estados Unidos continuam sem definição, uma com a França e outra com o Brasil. Os casos têm origens diferentes e envolvem diretamente as representações dos três países.
Em Paris, a atenção está voltada para Aurélien Lechevallier, escolhido pelo presidente Emmanuel Macron para comandar a Embaixada francesa nos Estados Unidos. A nomeação, porém, ainda depende da concordância do governo americano.
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Diplomata de carreira, Lechevallier foi embaixador da França na África do Sul, trabalhou como conselheiro no Palácio do Eliseu e atualmente é chefe de gabinete do ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot. Sua chegada a Washington estava prevista para 20 de setembro.
A resistência americana ao nome surgiu depois de um episódio nas Nações Unidas, em Genebra. A representação francesa criticou a posição dos Estados Unidos nas discussões sobre a renovação do mandato de Volker Türk à frente do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.
O posicionamento francês repercutiu negativamente entre autoridades em Washington. A administração de Donald Trump passou a considerar o adiamento ou até o bloqueio da indicação do diplomata francês.
Lechevallier depende do agrément, a concordância prévia dos Estados Unidos, para que possa assumir oficialmente a Embaixada. O governo francês defendeu que o desentendimento ocorrido na ONU não deveria interferir na relação entre os dois países.
Com o Brasil, a divergência é outra.
No início de agosto, o governo americano revogou o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos Estados Unidos. Washington associou a medida à demora brasileira na concessão do agrément a Daniel Perez. Questões relacionadas a vistos de diplomatas americanos também foram citadas.
Brasília contestou os argumentos apresentados pelos Estados Unidos e lembrou que o processo de concessão do agrément ocorre de forma confidencial.
Viotti permaneceu nos Estados Unidos e continuou à frente da Embaixada brasileira. A revogação do visto não significou sua expulsão do país nem uma declaração de persona non grata.
A situação pode trazer dificuldades caso a embaixadora deixe o território americano, já que a questão do visto precisaria ser resolvida para seu retorno.
Posteriormente, informações divulgadas pela imprensa indicaram que o governo brasileiro não pretendia conceder o agrément a Daniel Perez antes das eleições.
Os dois casos permanecem pendentes e, até o momento, não houve anúncio oficial capaz de encerrar as divergências.
A indicação de Lechevallier segue sem uma definição anunciada por Washington. Daniel Perez, por sua vez, ainda depende da concordância brasileira para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
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